Sinopse


Desde os primórdios da criação, a Morte — essa figura inexorável e silenciosa — percorre os caminhos da vida, sempre à distância, observando o curso dos homens com uma paciência infinita. Porém, ao deparar-se com a existência de Louis, um velho de alma alquebrada e passos cansados, até mesmo ela, a Morte, hesitou em seu papel inabalável. Decidiu, então, interferir.

A vida de Louis fora uma tapeçaria de dores minuciosamente bordadas. Nasceu à margem de uma família tradicional; pobre e esquecido por aqueles que lhe deveriam ternura. A infância, perpassada pela indiferença familiar, deu lugar a uma juventude marcada por traições, desilusões amorosas e o isolamento absoluto, como se cada novo infortúnio lhe fosse um fado inescapável. O tempo, em sua cruel sabedoria, apenas agravou a saudade das coisas não vividas e das pessoas que lhe faltaram.

Contemplando a miséria daquela alma que parecia exaurir-se a cada suspiro, a Morte, em um gesto inusitado de piedade, escreveu-lhe uma carta. Propondo-lhe uma visita de três dias, ela oferecia a Louis a oportunidade do encontro. No entanto, tal convite se impunha como inevitável e irrecusável. Haveria de acontecer, ainda que Louis recusasse.

A narrativa melancólica de "O Outono da Pitombeira" toca, assim, nas fibras mais íntimas da condição humana, refletindo as agruras do coração e do espírito que tantos, como Louis, conhecem em silêncio.

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